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Blindagem em meio à turbulência
Com a queda acentuada no Mercado Acionário, o resfriado está virando gripe, e sabe-se lá depois disso... O fato é que uma crise que parecia ter sido um caso isolado, de fundos imobiliários relacionados a junk bonds, se alastrou de tal forma que está corroendo boa de ganhos com ações de muita gente. A contaminação vazou e não se sabe se está perto de um controle ou não, a despeito de intervenções de Bancos Centrais pelo mundo afora. Blindado nada, e nem stop loss (mecanismo de contenção de perdas) parece resolver ou consolar diante do estrago.
Tudo num ambiente em que o Home-Broker evolui rápido no país, e as corretoras de valores crescem como nunca. Sim, as turbulências são passageiras, e depois ninguém se lembra, comenta-se. Mas não é bem assim no Mercado Financeiro. Quem aplica não está de brincadeira, e perder tantos mil pode fazer diferença. Principalmente em relação ao cunho psicológico, de continuar tentando ganhar na Bolsa ou não. Não é necessário radicalizar, e pôr pedra no assunto, como muitos fazem. Apenas situações assim sugerem um balanceamento com outras formas de investimento e atitudes que podem ser salvaguarda que vem a calhar num momento assim. Não existe blindagem efetiva contra crises, mas vejamos alguns aspectos defensivos que entram em cena:
Opção por imóveis: É um paradoxo, pois nessas horas de Bolsa em queda, in casu por créditos imobiliários subprime, sempre vem o assunto de se ter também investimentos em imóveis. Aquela história, o imóvel valoriza pouco, mas é concreto o suficiente pra gerar certa tranqüilidade que a escritura de proprietário confere. Os ganhos não são elevados, se for alugar por exemplo, mas as perdas também não o são.
Fundos de Renda Fixa: Sempre a mesma situação, alegria de uns tristeza de outros, e nessas horas o mercado de renda fixa se aquece bastante. Com fundos para todos os bolsos, gostos e urgência. Não rende absurdos por dia ou mês, mas o valor está lá, mesmo variando pouco. Cautela não faz mal, e nessas horas quem investe em fundos de renda fixa, ou assim distribuem também seus investimentos, mostra sua razão e estratégia.
POP da Bovespa: Muito se divulgou sobre o POP (Proteção ao Investimento com Participação) quando da Bolsa em ascensão. Mas agora ainda mais, é momento para analisar os benefícios desse investimento. Com garantia de rendimento mínimo, aliado a risco, mesmo frente a cenários assim. Pode-se dizer que é uma blindagem bastante inteligente para enfrentar cenários adversos, e podendo sair no lucro. Mais, sem grandes prejuízos.
Tesouro Direto: Seja o que for, é notório que em circunstâncias normais os títulos da República estão dentre os mais fortes. Afinal quem garante é o Governo, que controla a política economia do país. Por razões óbvias possuem mais lastro, e porisso são arrimo bom para crises passageiras ou não. Ainda mais com a facilidade permitida pela Internet, ao invés de desanimar com o Home-Broker, talvez seja hora de aplicar no Tesouro Direto.
Títulos de Renda Fixa como Debêntures:
Recentemente o BNDES emitiu papéis do gênero. A estratégia
balanceada e experiência do banco, mostra seu acerto frente a adversidades
da economia. Com acerto, quem investiu ou investe nas debêntures conversíveis
do BNDES, tem um papel de primeiríssima na mão. Por essas e
outras, o banco de investimento do Governo foi mais lucrativo que os privados,
no ano passado. Um balanceamento de estratégias que faz diferença,
sempre.
Arbitragem via Câmbio: Pelo sim pelo não, alguns investidores arriscam no câmbio com suas fortes oscilações. Com a Bolsa em queda, o dólar normalmente dispara e especialistas sabem como tirar proveito da situação. A moeda passou os R$ 2,00 com forte valorização no período. Quem investiu em dólar saiu ganhando, muito embora com grande risco.
Tentar vender a descoberto: Mas há os que querem enfrentar o mercado de frente, e operam vendendo a descoberto. Quanto mais cair a Bolsa melhor, quanto maior a volatilidade, possivelmente mais ganhos. Mas as invertidas são proporcionais, e nisso se não for um bom trader, as perdas podem aumentar mais. Mas tem investidor pra tudo, e tem gente que aposta indo na contra-mão do mercado assim.
Infelizmente, para uma boa parte de investidores, a turbulência trouxe
muitas perdas. Uma blindagem efetiva seria o ideal, mas muitos foram pegos
de surpresa mesmo. Algumas alternativas defensivas vêm à mente,
mas por outro lado, nas épocas de alta podem comprometer um eventual
retorno maior. Não tem fórmula pronta, nem bola de cristal,
a Bolsa de Valores é imprevisível mesmo. Claro, sempre há
os que já avisavam dessa possível quebra subprime, assim como
anunciam outras por vir. Mas exatidão quase ninguém tem, e isso
é que faz a diferença no Mercado Financeiro. De qualquer maneira,
de prejuízo em prejuízo, é que se faz também a
experiência. E depois ainda falam que é ganho fácil...
autor: Kleber M. Kuwabara / editor site Societario.com.br