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Nem tudo que reluz é ouro...
Marcelo Simões
Boas !!!
Caros leitores(as), no artigo da semana passada falei sobre a importância da taxa de administração na análise de um fundo de investimento. Nesta semana, o tema é mais conhecido do público em geral e, igualmente ao que acontece com a taxa de administração, também possui uma grande relevância: o histórico de rentabilidade.
A rentabilidade de um fundo de investimento é a principal porta de entrada para o "Universo" das aplicações financeiras que "orbitam" fora da Caderneta de Poupança. Sim, minha gente, existe vida inteligente no mundo financeiro fora a Poupança. E é através das divulgações de rentabilidades nos diversos smeios de comunicação existentes que somos chamados à atenção para esse novo mundo.
A rentabilidade possui um alto potencial ilusório, devendo ser analisada sempre em horizontes de tempo mais amplos. O bom senso recomenda, no mínimo, um período de 12 meses, visto que as comparações feitas em curtos espaços de tempo podem levar a uma distorção da análise, muitas vezes fatal e irreversível não só do ponto de vista financeiro, mas também psicológico, principalmente se estivermos falando de fundos de renda variável, mais conhecidos como fundo de ações.
Nesse tipo de fundo, as rentabilidades são, por natureza, extremamente voláteis, ou seja, possuem uma grande variabilidade em seu desempenho, atrelada, na grande maioria das vezes, ao desempenho do Ibovespa (índice da Bolsa de Valores que mede o desempenho das principais ações negociadas). Um fundo de ações que rendeu 30% nos últimos 6 meses pode ser uma grande propulsora de vendas. Você vê no prospecto do fundo aquela rentabilidade excelente e começa a pensar: "Puxa, que maravilha !!! Vou aplicar nesse fundo !!! Com certeza vou ganhar uma bolada !!!", porém tome cuidado com essa forma precipitada de pensar. Ao invés de ganhar uma bolada, você pode acabar "tomando" uma bolada. Peça o histórico de rentabilidade ao gestor do fundo. Analise se ele não passou os últimos 12 ou 24 meses operando mais vezes no vermelho do que no azul e agora, que conseguiu uma "tacada de sorte", alardeia aos quatro cantos que possui um fundo com ótimo desempenho.
No caso dos fundos de renda fixa - aplicações conhecidas no mercado por passarem a impressão de que possuem um risco muito baixo -, a análise do histórico também é de suma importância. Mesmo os fundos considerados mais seguros podem ter em suas carteiras algumas surpresas indesejáveis, que uma análise mais depurada do histórico consegue capturar. Desconfie quando um fundo que possui uma rentabilidade histórica aparentemente estável - digamos que na casa de 1% ao mês - apresentar, de maneira intercalada, performances abaixo de 0,80% sem nenhum sinal aparente de turbulência no mercado de renda fixa. Isso pode denotar que alguma posição na carteira pode estar sofrendo com a volatilidade de ativos mais arrojados e que, por muitas vezes, são permeados por engenharia financeira absolutamente legal e em conformidade com o regulamento do fundo, que será o tema da nossa próxima coluna.
Portanto, na hora de aplicar, analise com propriedade o histórico de rentabilidade do fundo para evitar a vitória da imagem sobre a substância. Caso você tenha dúvidas na análise, peça ajuda. Não tenha vergonha de aprender. Quem irá lucrar (literalmente) com o conhecimento sobre a melhor forma de aplicar o seu dinheiro é você mesmo(a).
Boa semana a todos ! Até a próxima !!!
Marcelo Simões
Analista financeiro com 12 anos de atuação no mercado financeiro,
trabalhando em áreas como Middle Office e Atendimento a Cotistas Institucionais
e Varejo. Formado em Administração de Empresas pela FASP/SP.
Certificado CPA-20 ANBID.