Muitas empresas estão realizando o IPO e abrindo o capital, além de outras que estão migrando para o Novo Mercado da Bovespa. Mas assim como preceitua a antiga Lei da Seleção Natural de Darwin, provavelmente algumas irão se destacar enquanto outras ficarão de lado, no tempo e espaço. A idéia é a mesma: com o passar do tempo, no mercado de capitais, assim como na Lei Naturalista, algumas empresas tendem a prosperar e a sobreviver enquanto outras não. Mesmo com problemas de créditos imobiliários subprime nos EUA, o mercado de capitais nacional evoluiu muito. As captações foram de valor recorde, mas como será a seqüência da performance das empresas na Bolsa de Valores.

O próprio termo IPO – Initial Public Offering, revela que a operação é inicial de uma outra etapa. Um início, de fase de companhia aberta, pois marca, ou deveria indicar, mudanças profundas na cultura da empresa. Com o Novo Mercado, parece que a Bolsa de Valores foi re-criada, um novo conceito, uma nova ordem. Mas claro que não é bem assim, e um estudo histórico, pode mostrar que algumas empresas tendem a sobreviver e outras não. O que ocorre é que não basta em si a euforia da operação de IPO. A empresa em questão precisa ter boa performance, e seus papéis precisam ter boa liquidez na Bolsa.

Nessa linha de raciocínio, observa-se que a Bovespa, atenta à necessidade de evolução gradual, estabeleceu a trilha de acesso ao Novo Mercado. Tendo o Nível 1 e Nível 2 de Governança Corporativa, papel de ir filtrando as empresas que apresentem melhores condições de mercado. Numa progressão em que destacamos as regras de dispersão, disclosure, free float de 25% no Nível 1, e a possibilidade da arbitragem, extensão de direito de voto às ações preferenciais em certos casos, e balanços em padrão internacional no Nível 2, por exemplo. Só nisso, já naturalmente selecionando as empresas mais fortes, com condições de evoluir no Mercado de Capitais, até chegar ao Novo Mercado. Depois, vejamos alguns fatores relevantes que pesam para se acessar e fincar bases no Novo Mercado e na Bolsa.

Liquidez e Demanda pelos papéis: Indicador supremo do desempenho da empresa, é a liquidez de seus papéis na Bolsa. Market Maker pode fazer a diferença, mas com o tempo, empresas com bom desempenho acabam tendo papéis com boa liquidez. Suporte último para que se estabeleça no Mercado de Capitais. As que não conseguem criar mercado para seus papéis, a experiência mostra que pouco a pouco são obrigadas a fechar o capital.

Performance geral da empresa: De certa forma, o desempenho da ação de determinada empresa na Bolsa, reflete a performance dessa empresa em termos de lucros e faturamento. Assim, além de atingir essa fase estando no Novo Mercado, a empresa precisa ter retorno condizente em suas atividades. Seu business plan precisa funcionar, sua administração, estratégia no seu ramo, precisa ir de vento em popa para que seus investidores continuem a procurá-la.

Governança Corporativa efetiva Depois de estabelecidas contratualmente, as regras de Governança precisam ganhar vida e sair do papel. Não apenas tratando de cumpri-las à risca, mas num verdadeiro esforço de criar um Relacionamento de Confiança com o acionista investidor. Com efetivo disclosure e aproximação com o cliente para que possa estar ciente de todo os passos ensaiados pela empresa. Muitos deles de elevada complexidade.

Operações Registradas Item importante, já que depois de aberto o capital, todas as operações de relevo precisam ser registradas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Assim, além de todo o compromisso com a Governança, boa parte das operações precisará passar pelo crivo do governo. O que implica em alto grau de comprometimento da empresa e ampla estrutura jurídica e contábil para atender a essas exigências constantes.

Cultura Corporativa: Mais uma vez, destaca-se a importância da Cultura Corporativa A empresa que chega nesse estágio operacional, não pode mais apenas olhar para si própria. Num compromisso com o mercado, seus acionistas e investidores, precisa estar pronta a dar satisfação sobre todos os movimentos da corporação. Afinal esse é o compromisso que se assume, depois de ir a mercado.

Assim, visto em breves linhas, fica nítido que existe todo um caminho a ser trilhado para se atingir e manter o nível de excelência. Algumas empresas já entram direto no Novo Mercado, outras vão passando por etapas anteriores do Nível 1 e 2. Seja como for, há um batalhão de desafios e obstáculos a serem enfrentados para se estabelecer. Acionistas, Investidores, Controladores, Procuradores, todos torcem pela sucesso da empresa. Mas como preceitua a Lei Naturalista, na Seleção Natural, vale dizer que também no Novo Mercado, as corporações fortes tendem a sobreviver e se estabelecer, a despeito de qualquer adversidade.

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