A consistência de dados divulgados pelas empresas listadas no Novo Mercado, parece ser num primeiro momento a preocupação maior. Afinal esse segmento da Bovespa, serve para atestar a qualidade da empresa que atingiu este milestone operacional. Muitas empresas que estão abrindo o capital atualmente, já entram nessa listagem. As que não estavam assim classificadas, preparam-se para migrar. Os conceitos e requisitos visam a gerar níveis de excelência e qualidade. Mas como será a teoria na prática dessas empresas ?

Cultura é algo histórico, e por motivos óbvios demora pra se consolidar. Isso vale também para o mercado corporativo. Cumprem-se os requisitos para listagem, assinam-se compromissos e acordo operacionais. Entretanto, onde fica a cultura empresarial de cada uma das corporações que entra nesse segmento. Conselho Fiscal, Conselho de Administração, free float de 25%, tag along, ações ordinárias, regras de cancelamento de registro, podem significar mudanças drásticas nas empresas, e seus colaboradores. Para tanto precisam de tempo para se habituar. Isso sem falar das regras contábeis USGAAP e de Sarbanes por exemplo.

Muitos são os esforços no sentido de atingir esses requisitos do Novo Mercado. Assim como mantê-los atendidos. Mas num mercado dinâmico e competitivo como é o atual, além de atingir esse patamar, há outros desafios. Além da da nova cultura corporativa que precisa se estabelecer em cada caso, há todos as outras exigências de investidores e acionistas cada vez mais esclarecidos e conectados. Assim vejamos alguns aspectos:

Relacionamento com Investidores

Basilar para sucesso da empresa, numa era de ampla conectividade, precisa estar cada vez mais próximo do seu cliente acionista. Não no momento de efetivar o road show da emissão, mas depois através da abertura para diálogo em conference calls, etc. Claro existe o limite do que é interna corporis, do que vem ao caso tornar público, e a empresa que entra nessa fase, precisa se acostumar a distinguir isso por exemplo.

Direitos de voto, tag along, e outros

Não basta em si ter o direito, se não souber como utilizá-los. Muitos são novos na Bolsa de Valores, e ainda não possuem noção de sua dimensão. Nada impede que as corporações tentem se aproximar de seu público, esclarecendo-o através de cursos e palestras que deveriam ter agenda constante. Funcionários e colaboradores da própria empresa poderiam explicar os detalhes de como utilizar o direito de voto, tag along, e de preferência por exemplo. Fazer sair do papel para efetivo exercício.

Conselho de Administração e Conselho Fiscal

Novas regras de rodízio e auditoria são altamente salutares. Só pra atender a essa nova estrutura organizacional, leva muito trabalho de coordenação de executivos e auditores. Mas depois, os officers precisam ter canal de comunicação múltiplo e ativo. As ouvidorias precisam ser ouvidas, e tanto as reclamações e idéias de colaboradores, tão como a de clientes acionistas devem chegar escaninho da presidência.

Movimentações de Controladores

Investir sem saber quem é o dono, não existe mais. Mas daí a entender as operações dos controladores vai uma grande distância. Por meio de desenhos societários é possível fazer diversas operações complexas no mercado de capitais. Muitas de relevo, inclusive para minoritários. Fusões, Incorporações, compra e venda de ativos, emissão de papéis, operações mezzanino, muita coisa pode acontecer. Saber quanto o controlador possui não basta, é necessário saber a lógica das movimentações, e melhor interatividade com o acionista investidor pode melhorar isso. Não só através de documentos tradicionais.

Governança Corporativa associada a interatividade

Resumindo, se a adaptação com a nova cultura corporativa exigida pelo Novo Mercado não é fácil, tanto mais o atendimento de exigências dinâmicas de investidores cada vez mais esclarecidos. A Governança Corporativa precisa levar tudo isso em consideração, então limitar-se a criar um framework operacional. O Investidor Acionista não só que ouvir mas também ser ouvido. Nisso, a internet em muito veio pra ajudar, com consultas através de sites ou informes por e-mail.

Assim o desafio é no mínimo de duas ordens: assimilação da cultura corporativa e interatividade com cliente em tempos mais que modernos. Já não basta apenas informar, criar estrutura ou direitos estanques. É preciso dar dinâmica e interatividade, nas ondas da economia, bolsa de valores, e mercado.

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