Ultimamente, um dos grandes temas em discussão também na área de investimentos é a Responsabilidade sócio-ambiental. Isto é, na hora de investir, cada vez mais irá fazer diferença se a empresa respeita o meio ambiente e participa de políticas de inclusão social, ou não. Com o aquecimento do planeta, as preocupações neste sentido tornam-se mais urgentes que nunca, sendo até um despropósito deixar de lado essa abordagem.

Do ponto do vista do investimento em empresas, há pouco tempo atrás o foco de atenção toda era o acionista e seus direitos. Com a revolução da Lei Sarbanes-Oxley, veio de vez a necessidade de regras claras de transparência, que se identifica com a governança corporativa. Em proteção ao acionista, também no Brasil vieram novas regras, mais claras para proteger o investidor de eventuais irregularidades

O resultado dessa seqüência é que para estar engajada no seu circuito mundial, a empresa deve cumprir essa lição de casa, para ter verdadeiro “grau de investimento” atualmente. Expressão do momento, já que o país caminha para esse patamar de classificação de risco, vejamos os requisitos para se ter esse “grau de investimento sócio-ambiental” pelas empresas hoje:

Inclusão social e digital Foi-se o tempo em que as empresas lucravam absurdamente, e podiam ficar inertes em relação ao seu entorno social que desmoronava. Hoje é até um desconforto considerável manter a situação desigual assim, afinal se o capitalismo prega a riqueza, não quer dizer que defenda a sua pobreza. Em eras de qualidade de vida, de evolução clara dos institutos, não tem nada a ver os acionistas e capitalistas ganharem rios de dinheiro, sob margens de ampla pobreza. Assim, as empresas precisam fazer sua parte, e deixar seu quinhão ao lado social também. Seja participando de ONGs, seja construindo escolas, seja ensinando profissões e capacitando as pessoas para era digital.

Respeito ao meio Ecossistema Contribuir com o meio-ambiente também deve fazer parte das políticas da empresa. Visto que com a dimensão que possuem, podem e devem criar estrutura voltada para isso. Assim, as empresas de recursos naturais devem analisar o impacto ambiental de sua exploração, as indústrias devem preocupar-se com os ciclos do ecossistema, assim por diante. Mas também empresas que aparentemente não tem relação direta, devem colocar em primeiro plano suas escolhas e decisões neste sentido.

Governança Corporativa À exemplo do Novo Mercado da Bovespa e suas regras, junto da preocupação sócio-ambiental, deve estar também a defesa de regras claras nas empresas. Com balanços transparentes, informações precisas sobre o andamento do empreendimento, num sentido de proteger o acionista sempre. Principalmente não só a quantidade de informação disponível, mas sua qualidade e consistência.

Dividendos sociais A lei societária define os dividendos mínimos ao acionista. Mas além disso, está a relação ao meio que o cerca. Será que está de alguma forma a empresa está contribuindo para sociedade, exercendo seu lado altruísta também ? O antigo discurso de fazer o bem gerando empregos já não basta. As empresas precisam contribuir também para integrar as pessoas na sociedade, e assumir seu quinhão na responsabilidade social de problemas como analfabetismo, pobreza, etc.

Performance Na era digital atual, com tecnologia de ponta em variados setores econômicos, as empresas possuem diversos desafios, mas também muitas facilidades para seu melhor desempenho financeiro. Mas claro que essa performance deve se inserir neste contexto de Responsabilidade sócio-ambiental e de trabalhos dentro de parâmetros da Governança Corporativa, transparência e respeito ao minoritário. Afinal foi-se o tempo em que era admissível uma ótima lucratividade mas descolada de seu entorno sócio-ambiental e a despeito do interesse de seus acionistas.

Assim os investidores conscientes tendem a procurar empresas deste perfil para investir. O resultado disso, por exemplo, é o surgimento de fundos direcionados para empresas que respeitam determinados princípios. Assim como na época da Reforma da Lei da S/A surgiram os fundos centrados em empresas que respeitavam o tag along (direito dos minoritários de venda conjunta de ações), surgem agora fundos éticos. No caso estes últimos possuem política de montagem de portfolio composto por empresas que se ajustam a estes princípios. Mais que um lugar de destaque, empresas desse perfil atingirão o verdadeiro “grau de investimento”, conquistando além disso o respeito em seu meio, que obviamente não tem valor.

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