Uma das grandes euforias de investimento do ano passado e que continua no corrente ano são as Ofertas Públicas Iniciais na Bolsa de Valores. Sucesso absoluto no Mercado de Capitais atual, surgem num contexto ótimo não apenas de grandes e tradicionais investidores. Mas agora com efetiva capilaridade no Mercado Financeiro atual.

Por enquanto são só serpentinas de alegrias para todos seus participantes. Com certeza almeja-se que dessa vez o Mercado de Capitais embale de vez, calçado agora em seu melhor arrimo: a multiplicidade de investidores. Mas não são apenas Home-Brokers de primeira viagem que saem com lucros no bolso, efetivamente. Muitos que contribuem na cadeia produtiva do IPO saem felizes com isso, e diga-se até o governo. Vejamos como cada um participa:

1) Empresa e Empresários: são os que têm a felicidade de conseguir lançar papéis na Bolsa de valores. Nem é necessário comentar o quanto lucram, já que as emissões iniciais atuais estão numa ordem de grandeza média de 100 a uns 500 milhões de reais. Capital o suficiente pra estruturar os mais elaborados business plans de expansão empresarial.

2) Advogados: Nem é necessário detalhar que com tantos regulamentos e documentos, eles são indispensáveis aqui. É verdade que as estatísticas favorecem sempre as grandes bancadas. Mas a tendência é escritórios menores começarem a ser consultores legais de processos similares, que exigem expertise e interface constante com a CVM e órgãos reguladores. Por tratar-se de processos intrincados, bala única, que quase não admite erros, os honorários são compatíveis a operações de tal porte.

3) Contadores e auditores: É no IPO que têm o prazer de participar de uma transição marcante na vida da empresa. Não para apontar erros, e nem só para apontar virtudes. Mas efetivamente para de certa forma avalizar com a chancela contábil, que a empresa está em ordem, e forte o suficiente para entrar nessa nova etapa. Com balanços, balancetes e relatórios que provem ser esse mesmo o destino da empresa a lançar papéis.

4) Governo: Parece que não, mas o governo é um dos grandes beneficiados. Pois num mercado ativo, com empresas em expansão estruturada, isso significa mais empregos para todos. Considerando-se que um dos maiores dramas do governo é realizar expansão do PIB que dê conta do problema do desemprego, empresas crescentes em muito contribuem para isso. Sem falar que caso contrário, sobrecarrega-se bancos estatais por demanda de financiamento público para projetos empresariais.

5) Investidores: Claro, que na atual fase do Mercado de Capitais, com internet e tudo, os investidores é que saem beneficiados. É verdade que fazer IPO não era proibido antes, mas a falta de informação que cercava esses processos, funcionava como uma barreira ao investidor. Agora, podem procurar detalhes da empresa, administradores, CNPJ, histórico judicial, dataprev, etc. com base numa simples máquina ligada à internet. Podendo assim tirar suas próprias conclusões sobre se é caso de investir ou não na referida empresa.

6) Corretoras Menores: Pra quem não se lembra, faz pouco tempo até, estavam com problemas de demanda por clientes no mercado devido às crises do final dos anos 90 e depois com a bolha da internet. Com o Home-Broker, são os grandes protagonistas em gerar capilaridade ao sistema, em fazer todo o circuito funcionar eficientemente. Agora ocorre até do investidor freqüentemente saber de cabeça todo o comparativo minucioso das taxas de corretagem, custódia, emolumentos e demais detalhes.

7) bancos de Investimento: Na era das privatizações foram os grandes protagonistas em realizar as polêmicas operações. Hoje o foco é outro. Não é conversa dos mesmos Players sobre jóias da coroa. Mas agora foca-se no Mercado mesmo, palco mais democrático de investimentos, e a força está agora na mão da multiplicadade de investidores individuais.

Assim, nessa cadeia produtiva, muitos são os beneficiados. O melhor da história é que o risco está indubitavelmente disperso hoje, nos milhares de acionistas. Possibilidade essa de integrar o circuito do investimento, que só veio com o computador pessoal e internet. A boa notícia é que as perspectivas são promissoras, e que mesmo com solavancos de mercado, a onda de IPO parece que veio para ficar de vez, na cultura local de investimentos.

News Reporter
info@societario.com.br